Quando Deus ou qualquer outro PilarAbsoluto morre para um homem, ou em um homem, como se sabe, passa-se ao Abismo, e o Abismo consiste da “consciência racional e afetiva” do fato da mortalidade.

O homem não nasce mortal, torna-se mortal, que Deus não morra para um homem, mesmo assim esse homem passará ao Abismo. De um modo ou de outro, Deus se rasga, e o furo na cúpula celeste, que o homem chama de estrelas, e que o homem já chamou de a luz de Deus a entrar no mundo, o furo na cúpula celeste ganha, mais cedo ou mais tarde, a qualidade de índice de um universo em que cada um está só com sua morte.

Se, para um homem, inexiste o dia em que Deus se rasga, é porque esse homem enlouqueceu, num sentido literal.

E não são poucos os homens que enlouquecem, literalmente e para além das pobres definições dos manuais de diagnóstico.

É claro que o espedaçamento de Deus também é enlouquecedor. Mas são loucuras distintas, a que se apóia no PilarAbsoluto e aquela que se apóia num misto de resignação e desespero diante do fato da mortalidade.

De todo modo se enlouquece, as opções são

ou enlouquecer por conta própria e inventar mundos, talvez compartilháveis, com seu misto de resignação e desespero

ou usar a loucura para dar consistência a um Deus monstruoso que nunca se rasga, ou seja, abraçar para sempre o mundo inventado para que os que não ousam enxergar a fragilidade, o esfarrapamento dos fundamentos do mundo, para que esses tenham um instrumento pronto para minimizar o sol que não cessa de ranger no Abismo.

Não é estritamente de Deus que falo quando uso a palavra Deus. Mas de qualquer, de qualquer coisa que, deificada, ocupe o lugar-Deus, instaurando-se como ponto final das indagações extremas, arquitetadas sobre a indagação extrema: a morte ― a qual metamorfoseamos em enigma, usando ou não Deus para isso (chamando-a, p. ex., de o enigma de Deus),

afinal, para podermos dialogar-jogar-xadrez com a morte, precisamos destituí-la de seu Absoluto, pois diante do Absoluto sequer levantamos os olhos ou a língua.

INSIRA UM TÍTULO AQUI
Outubro 8, 2009, 1:16 pm
Arquivado em: Uncategorized | Tags: coisinhas, projetos, sono, tatuagem nova, título
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acho difícil colocar título em post. no colégio eu detestava colocar título em redação (tinha dificuldade com o início também. normalmente eu já tinha a coisa toda na cabeça, mas não fazia IDÉIA de como começar. uma tortura, sério mesmo).
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eu posso estar enganada, mas acho que nunca senti tanto sono na vida.
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se tudo der certo, hoje ganho meu presente de dia das crianças adiantado. se tudo der certo. porque depois dessa semana eu só posso dizer que não conto mais com ovo dentro da galinha. mesmo que a galinha esteja na minha frente fazendo ultrassom.
*
falando nisso. tenho uma GASTURA com gente que diz que – tinha que ser assim. como se tivesse alguma lógica, ALGUMA lógica, dizer que seu pneu furou porque senão algo pior teria acontecido.
tinha que ser assim = deus quis assim. né? aiai, não sei nem porque eu perco meu tempo.
*
uma coisa é certa. nunca vou ser capaz de parar de sofrer por antecedência. chega logo semana que vem!
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(lembra que eu falei que os projetos teriam que ser interrompidos por mais ou menos um mês? não lembra né? foda-se. o importante é que o prazo de hibernação termina depois do feriado. eu já estava começando a sentir saudades da minha gastrite ;) )
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foi o André que me apresentou o blog da Mayumi, na época se chamava magnoliaaa, mas que, agora, se chama bravataouplacadesarcasmo (o nome tem uma escancarada influência bigbangtheoriana). Enfim, blogs mayumescos estão, pra mim, entre os 0,00001 % de coisas imperdíveis da internet. Abaixo, como amostra, deixo um post que eu roubei:

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Outubro 8, 2009, 1:16 pm

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acho difícil colocar título em post. no colégio eu detestava colocar título em redação (tinha dificuldade com o início também. normalmente eu já tinha a coisa toda na cabeça, mas não fazia IDÉIA de como começar. uma tortura, sério mesmo).

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eu posso estar enganada, mas acho que nunca senti tanto sono na vida.

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se tudo der certo, hoje ganho meu presente de dia das crianças adiantado. se tudo der certo. porque depois dessa semana eu só posso dizer que não conto mais com ovo dentro da galinha. mesmo que a galinha esteja na minha frente fazendo ultrassom.

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falando nisso. tenho uma GASTURA com gente que diz que – tinha que ser assim. como se tivesse alguma lógica, ALGUMA lógica, dizer que seu pneu furou porque senão algo pior teria acontecido.

tinha que ser assim = deus quis assim. né? aiai, não sei nem porque eu perco meu tempo.

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uma coisa é certa. nunca vou ser capaz de parar de sofrer por antecedência. chega logo semana que vem!

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(lembra que eu falei que os projetos teriam que ser interrompidos por mais ou menos um mês? não lembra né? foda-se. o importante é que o prazo de hibernação termina depois do feriado. eu já estava começando a sentir saudades da minha gastrite

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HISTÓRIAS POSSÍVEIS . EDIÇÃO 53 . (em que estréio como editor)

cabula

Escritores não são pessoas normais feito eu e você. Escritores têm “bloqueio” – um jeito pretensioso de dizer que eles não têm porra nenhuma na cabeça. Você não vê carteiros parados no meio da rua, a mão cheia de envelopes, falando sozinhos: “Não adianta! Por mais que eu entregue cartas, eu jamais farei uma obra-prima! Ou cirurgiões: “Não adianta! Implantar esta ponte de safena não fará de mim um novo James Joyce!”
As pessoas simplesmente fazem. Plantam tomates. Colhem abóboras. Pilotam tratores. Praticam abominações com animais de pequeno porte. Escritor não. Escritor trava. Escritor estanca. Escritor estrila. E aí, meu amigo, não há o que fazer, a não ser, talvez, usar o bloqueio a seu favor e escrever um conto.

[Edson Aran]

DOS COLABORADORES

Gerusa Leal, Toque
Lúcia Bettencourt, Pornoproust
Nereu Afonso, Queria mesmo é que um raio caísse no final da história!

DO CONVIDADO
Halley Margon V. Jr., Malevich, 1905

E DA ASSINANTE
Andrea Mello, Mergulho

[ Imagem: site Obvious]

HAIKU

Como era:

Botei um covo no fundo da gamboa.

No outro dia encontrei um telescópio

Cheio de estrelas.

Como deve ser:

Cheiinho de estrelas

Na funda camboa um covo:

Mas, um telescópio.

de Joaquim Cardozo

Né por nada não, mas dá orgulho participar disso dAQUI

não sei se notaram, mas de uns tempos pra cá (3 semanas?), não passo mais do que uma semana sem postar. um pequeno passo para um homem, passo nenhum para a humanidade. sim, estou com preguiça de maiuscular as palavras iniciais de cada frase. nem de palavras eu gosto muito. daí que saquei que o Saramago, que se diz um louvador do pessimismo, se revelou um otimista ao tentar otimizar a cabeça das pessoas com a boa nova de que o twitter levará a humanidade de volta aos grunhidos, ou ao grito primevo, não me lembro bem. disse, também foi o Saramago, que a humanidade há tempos demonstra uma tendência ao grunhido.

é mesmo? então devo estar doido de vez, porque o que vejouço é um mundo palavresco, verborrágico, prolixo e, por isso, mesmo, insípido e inodoro |a única coisa que deveria ser insípida e inodora anda a desaparecer na sua configuração insípida e inodora, e isso é o máximo de ecologismo que meus dedos, tlec tlec, são capazes de produzir|.

onde está a haver  |profissionais do telemarketing em portugal devem falar assim, não? bem melhor do que o gerundismo praticado, no brasil, por profissionais do telemarketing, e, em alta velocidade, a se estender à universidade e ao mundo bussiness em geral|  essa tendência ao grunhido?

meus ouvidos não sabem. mas posso estar absurdo, pode ser só isso. pode ser mais: absurdo, abmudo e abcego. tá, a piada é tosca e passada, como andar pra frente em linha reta, mas confesso que ando a precisar de passos toscos, pra frente e em linha reta.

Sempre um punhadinho de deuses por sob as unhas. Acerto os relógios, e os deuses prosseguem tit-tac em círculos. Pensei que o acaso fosse azul, mas o azul é que resulta de uns acasos. O-um punhadinho já me infecciona a geografia de por sob as unhas. Posso inventar séculos de frases, o senão é que frases congestionam minhas narinas. Nada disso, aqui e agora (como dizem os da Bestalt), nada disso em coerência: peças desconformes, lógica sem encaixe, como duas engrenagens banguelas. Mas mecânico e mulher pelada na parede também é um contrassenso, ou dois. Nem por isso ninguém descasca a ralhar com Deus, aquele-o-um. O-que-não-se-diga. Se nem mesmo há provas de que a Bulgária existe, conforme Campos, o de Carvalho, comprovou ao mundo, por que haveria eu de me incomodar com engrenagens banguelas?

— só — é quem sou.

arames e arandelas e aranhas me aliteram de um modo feliz (se, claro, exercito-me de esquecer a bobagem do sentido, em prol das bobagens dos sentidos)